Planejar ou Sobreviver? O Dilema das PMEs em Cenário de Recessão

O cenário desafiador do empreendedor brasileiro

Toda pessoa que se desafia a empreender em nosso país precisa estar ciente de que estará exposta a um cenário desafiador. Vários aspectos da economia brasileira têm grande impacto no crescimento das empresas nacionais, e não estou falando de grandes empresas, mas sim do pequeno e médio empresário.

Podemos listar a grande batalha dos juros, a desvalorização da nossa moeda, a grande carga tributária, o peso do passivo trabalhista, a grande guerra com o mercado externo e até mesmo com o mercado interno, que fazem com que os desafios aumentem, e veja que nem tocamos no assunto da corrupção que assola nosso Brasil.

Em face de tantas variáveis, ainda temos muitas empresas que atuam de forma a deixar o mercado definir o rumo dos negócios: se a maré puxar para o lado certo eu vou crescer, senão vou falir. Não é necessário que seja assim.

Planejamento não é vacina, é preparo

Quando falamos de Planejamento Estratégico, não estamos falando de uma vacina contra as dificuldades ou crises, mas sim de preparo e resistência. Em um antigo filme que conta a história de um boxeador, um personagem famoso já dizia mais ou menos assim: “não é sobre como bater, mas sim o quanto se consegue apanhar”.

Planejar estrategicamente sua empresa tem a ver com pensar no todo e em qual resultado se quer chegar. E eis aí um ponto importante: muitos empreendedores não sabem onde querem chegar, as visões são rasas, infundadas, e quando isso acontece não há motivação real. Logo, o esforço para alcançar o objetivo muito facilmente acaba virando um “não compensa”, e voltamos para a mesma rotina de apenas absorver o que o mercado oferece.

As duas bases: objetivo e estrutura financeira

Construir um planejamento estratégico consistente exige algumas bases, como construir um prédio: primeiro vêm os alicerces. Podemos definir dois: objetivo a ser alcançado e base financeira/orçamentária.

Para conseguir definir os objetivos, primeiramente precisamos entender o porquê a empresa existe. Estou falando de missão e visão? Sim, mas também das raízes, dos motivos pessoais envolvidos. Vamos lembrar que esse artigo é direcionado a pequenos e médios empreendedores, mas de alguma forma pode se aplicar a investidores também.

Em uma breve reflexão, retorne ao início do seu negócio: o que o impulsionou a abrir ou adquirir essa empresa? Muitas vezes foi pelo motivo nobre de apenas colocar comida dentro de casa, ou até mesmo para aproveitar uma oportunidade. Quem sabe você não escolheu, a coisa aconteceu e, como se você fosse empurrado de repente, se viu com a empresa nas mãos. Bom, não sei qual é a sua história, mas entender as motivações iniciais pode sim ajudar a criar as motivações para o futuro.

Seja qual for a motivação, os objetivos irão se encontrar em uma “visão”: gostaria de ter minha empresa em uma sede própria, gostaria de ter um número X de funcionários, gostaria de preparar a sucessão da minha empresa para, no futuro, eu apenas colher os frutos do que plantei. A definição dos objetivos acaba se tornando uma combinação de sonho com números, ou seja, para alcançar esse sonho preciso alcançar tal resultado financeiro, e vice-versa.

O que é importante frisar é que o sonho precisa virar número, o número precisa virar meta e a meta precisa se transformar em resultado líquido.

A segunda base sólida do planejamento é a estrutura financeira. Não se arrisque a planejar sem antes ter nas mãos os números que irão nortear todo o restante do processo. Podemos destacar os seus custos (fixos e variáveis), o seu orçamento mensal e qual a capacidade produtiva real do seu negócio. Se o empreendedor não tem esses números, o primeiro plano de ação será sempre “estruturar a base orçamentária da empresa”.

O caminho lógico do planejamento

Com esses dois pontos bem definidos em mãos, é hora de parar para pensar em como fazer. Veja, existe uma linha lógica e quase cíclica a ser seguida:

  • Quais são os objetivos e quanto preciso produzir (R$) para alcançá-los;
  • Qual estrutura preciso para alcançar os objetivos (pessoas, tecnologia, processos, etc.);
  • Qual é o valor do investimento e quanto isso impacta no orçamento atual da empresa? (reservas, busca de capital);
  • Quanto tempo para colocar em prática e quanto tempo para começar a gerar resultado?

Nesse caminho de criação, tudo ainda está em um mundo de planos. Percebemos que nem tudo é urgente e que existem ações que serão prioridades nesse processo.

Não é nosso objetivo passar um esboço de como escrever um planejamento estratégico, mas sim incentivar a começar a planejar de alguma forma, e mesmo que o mercado seja desfavorável, que a sua empresa se mantenha nos trilhos e ativa em busca dos seus objetivos.

Nesse processo, o empreendedor irá se deparar com novas oportunidades, quem sabe até mesmo novos objetivos — isso sempre acontece. Quando isso acontecer, retome imediatamente o planejamento feito, reavalie, veja se realmente essa “oportunidade” irá fazer com que você dê passos mais largos rumo aos objetivos ou se é apenas uma distração do mercado.

O papel da consultoria especializada

A busca de conhecimento é essencial para o planejamento; as fontes são infindáveis, cabe ao empreendedor entender a relação entre tempo e custo. E é aí que entra a atuação dos consultores como ferramenta de implantação.

Investir em consultorias especializadas traz para dentro das empresas um “combo” de conhecimento pronto, maduro para aplicação e correção dos processos. Fato é que as empresas que buscam aperfeiçoamento conseguem amenizar os impactos do mercado e criar rusticidade perante as crises.

Se a sua empresa ainda caminha ao sabor da maré, talvez seja hora de conversar sobre o planejamento estratégico do seu negócio. A Braun Consultoria pode te ajudar a transformar esse sonho em número, o número em meta e a meta em resultado.

 

 

 

 

Carlos Eduardo Braun de Freitas

Proprietário Empresa Braun Consultoria

Leia mais