A inteligência artificial deixou de ser uma tendência distante e se tornou parte da rotina das empresas. Não se discute mais se ela é ou não importante, mas, sim, como transformar o uso da IA em melhoria real da gestão empresarial.
Segundo a pesquisa The State of AI in 2025, da McKinsey & Company, que abrangeu empresas de mais de 100 países, 88% afirmam que suas organizações já utilizam IA regularmente em pelo menos uma função, mas apenas um terço havia implementado de forma efetiva, permanecendo as demais ainda em fase de experimentação, sem escalar a IA de forma estruturada.
É nessa passagem do uso pontual para a integração aos processos que está o verdadeiro ganho na gestão empresarial.

Um erro comum é imaginar que aplicar IA à gestão significa transferir decisões para a tecnologia. Não é esse o caminho.
Um gestor não deve delegar decisões à IA. Decidir envolve responsabilidade, contexto, cultura organizacional e análise do impacto sobre as pessoas. Esses elementos continuam exigindo a atuação humana.
Por outro lado, também não faz sentido manter gestores e equipes executando manualmente tarefas que a IA já consegue desenvolver com eficiência. Em uma empresa bem gerida, o tempo das pessoas deve ser direcionado para atividades que exigem relacionamento, negociação e responsabilidade.
Sendo assim, a IA deve entrar como apoio à execução, podendo organizar dados, estruturar relatórios, identificar padrões, sugerir caminhos, apontar riscos, comparar cenários e acelerar tarefas que antes consumiam muitas horas de trabalho humano.
Executar com IA pode significar inserir a tecnologia nos processos da empresa, implementar de modo que dados confiáveis possam servir para a geração de análises e relatórios úteis. Não se trata de pedir respostas genéricas a uma ferramenta isolada, mas de aplicar IA sobre dados confiáveis, processos reais e problemas concretos da empresa.
Em muitas empresas, em que parte relevante do tempo de gestores e funcionários ainda é consumida por tarefas operacionais e repetitivas, a IA pode apoiar, por exemplo, a organização de indicadores de vendas, produtividade, estoque, atendimento e inadimplência; Como também, auxiliar na estruturação de relatórios gerenciais, na análise preliminar de dados e na comparação de propostas e fornecedores.
Outro exemplo está nas reuniões. A IA não deve substituir a condução humana da reunião, mas pode sugerir pautas, com base em pendências e indicadores anteriores; e ainda, pode auxiliar na organização das atas, incluindo responsáveis e prazos.
Podemos citar também, a IA dando suporte à revisão de processos internos, apontando etapas com retrabalho, gargalos, falhas de comunicação ou atividades que poderiam ser padronizadas. Em áreas administrativas, comerciais e financeiras, pode atuar no acompanhamento de pendências, na organização de planos de ação e na preparação de análises para tomada de decisão.
O ponto não é substituir pessoas, mas otimizar a estrutura da empresa e o tempo dedicado pelos gestores no desenvolvimento de suas atividades.

Chegamos em uma realidade, que a tecnologia pode participar ativamente em decisões mais importantes da gestão empresarial.
No entanto, a IA não decide sozinha, ela participa da decisão, ampliando ainda mais a capacidade de análise do gestor, permitindo cruzar mais informações em menos tempo e ajudando a reduzir decisões baseadas apenas em percepção ou senso de urgência.
“A IA participa. A gestão decide.”
Por sua vez, transformar IA em resultado empresarial exige uma empresa com um processo bem desenhado e uma empresa estável comercial e financeiramente.
O óbvio precisa ser dito: somente um processo já existente pode ser aprimorado. Portanto, é essencial que o gestor compreenda sua operação, seus processos, seu contexto, para então iniciar a implementação da IA em sua empresa.
Antes de perguntar “qual ferramenta usar?”, a empresa deve perguntar: quais tarefas consomem tempo demais? Quais poderiam ser executadas com o auxílio de IA? Quais processos têm retrabalho? O processo tem gargalos financeiros? Quais indicadores não são acompanhados com clareza? Quais as projeções da empresa?
A partir dessas respostas, a IA pode ser integrada de forma mais inteligente, com foco em eficiência e resultado.
Em todo esse contexto, o apoio de uma consultoria financeira e empresarial se torna ainda mais relevante. A IA pode acelerar análises, organizar dados e sugerir caminhos, entretanto sua aplicação só gera resultado quando inicia a partir de uma compreensão clara dos números, dos processos e das prioridades do negócio.

Aline Veiga
Consultora Braun Consultoria
Referência
MCKINSEY & COMPANY. The state of AI in 2025: agents, innovation, and transformation. McKinsey & Company, 5 nov. 2025. Disponível em: https://www.mckinsey.com/capabilities/quantumblack/our-insights/the-state-of-ai. Acesso em: 5 jul. 2026.